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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um Conselho de "Estado de Sítio"

Cavaco Silva reúne mais uma vez os seus conselheiros de Estado. Como ninguém sabe ao certo o que se passa lá dentro, resta-nos imaginar. Vamos a isso...


O Conselho de Estado inicia-se com um Pai Nosso e duas Avé-Marias, rezadas em francês por José Sócrates, convidado apenas para o efeito. 
Depois de expulsar o ex-Primeiro-Ministro a pontapé, Marques Mendes dá as boas-vindas aos demais conselheiros, benzendo-os do alto de uma cadeira e mandando servir uma taça de vinho de missa a cada um. Convém esclarecer que Marques Mendes foi eleito "mestre de cerimónias" após um prévio "mister batina molhada", disputado taco a taco com Jorge Sampaio.
Por esta altura, já Marcelo Rebelo de Sousa fez a apresentação de um desdobrável contendo a auto-biografia de Miguel Relvas e deu 20 valores à gravata nova de Cavaco Silva.
Depois de tudo sentado, o Presidente da República ordena que Francisco Balsemão pare de impingir as rifas que fez do Globo de Ouro que José Mourinho anda a ganhar há 10 anos e se recusa levantar. Leonor Beleza comprou 6, sente-se enganada e devolve-as.

Iniciados os trabalhos, Cavaco tem ainda necessidade de mandar calar Mário Soares e Manuel Alegre, que discutiam os preços das arrastadeiras e algálias e as condições de entrada no Lar de Idosos da Assembleia da República. Concordam que as fraldas Lindor são as mais em conta, porque aguentam a noite toda.


Arrumada a questão dos velhotes, o Presidente da República tem de chamar a segurança para separar Pedro Passos Coelho e António José Seguro, que entretanto se pegam à chapada. O Primeiro Ministro encheu-se de ciúmes por causa de umas cartas, com juras de amor e fidelidade eterna, que o líder do PS anda a escrever à gaja mais cobiçada da Europa, Angela Merkel, e não esteve com meias medidas. Vai porrada. Passos Coelho chega mesmo a dizer a Seguro que parece uma menina a bater e que a sua ex-mulher dava mais luta.
Alberto João Jardim aproveita a rixa e negoceia umas apostas ilegais, ao estilo das lutas de galo, e pretende aplicar os lucros na diminuição do buraco financeiro da Madeira. Ou num fato novo para o Carnaval 2014. Logo se vê.

No seguimento dos trabalho, Luís Filipe Menezes acusa Alfredo José de Sousa, Provedor de Justiça, de nada fazer para desbloquear o processo contra a sua candidatura à Câmara Municipal do Porto, ao que o Magistrado respondeu que "na Justiça tudo tem o seu preço e tu não te chegaste à frente. É bem feito!".

Após, Pedro Passos Coelho, novamente descontrolado, desata a insultar Joaquim de Sousa Ribeiro, Presidente do Tribunal Constitucional, a quem acusa de ser o causador da crise matrimonial que ele e Paulo Portas vivem, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, que já pouco tempo passa em casa, a ameaçar que a abandona definitivamente. Só não chegam a vias de facto porque Bagão Félix ameaça levá-los a todos ao pic-nic da final da Taça de Portugal. Assunção Esteves aproveita esta pausa para pedir mais uma reforma antecipada, que ela própria manda aprovar.

Tudo sanado e debruçados, finalmente, sobre o assunto que os trouxe ali (Portugal num cenário pós-Troika), é decidido por unanimidade que o melhor mesmo é deixar o futuro nas mãos de N.ª Sr.ª de Fátima, que entretanto já tinha saído para ir acudir François Hollande. Por estes dias, não há mãos a medir.

Foi ainda decidido que a próximo Conselho de Estado terá lugar nos Açores, porque dá mais uns trocos valentes em ajudas de custo.

Declarada encerrada a sessão, Cavaco Silva despede-se de todos de lenço banco na mão, ao som do "Ó Fátima, Adeus", apaga a luz e fecha a porta, não sem antes meter à boca dois croquetes que Manuela Eanes tinha mandado ao marido num tupperware...

domingo, 12 de maio de 2013

O dia em que Jesus precisou de um milagre

A derrota de ontem do Benfica frente ao Porto, fez soar o alerta vermelho por todo o país e levou, inclusivamente, Pedro Passos Coelho a convocar um Conselho de Ministros extraordinário, onde foi exigida a presença de Jorge Jesus. 

De joelhos, a treinar para ir a Fátima
Caso o Benfica tivesse ganho, o Primeiro Ministro iria aproveitar a distracção generalizada para anunciar mais medidas de austeridade. Mas Jorge Jesus falhou, o que levou Paulo Portas a apelidar o treinador de "Vitor Gaspar do futebol", já que JJ acerta tanto nas substituições como o Ministro das Finanças acerta nas previsões macro-económicas. Dois visionários.
Jorge Jesus, no entanto, não pode comparecer ao chamamento de Passos Coelho, porque é sua intenção arrancar directo para o Santuário de Fátima, logo que consiga secar o cabelo. É que depois do banho de bola que levou ontem de um tal de Vitor Pereira, a tarefa não está fácil.   

Quem rejubila de entusiasmo com a derrota encarnada, são
os comerciantes da zona envolvente daquele Santuário Mariano. Desde ontem à noite que as de t-shirts do Justin Bieber foram destronadas do top de vendas, para dar lugar às velas encarnadas, que os adeptos do clube da "Luz" põem a arder a N.ª Sr.ª de Fátima, solicitando a intervenção de um ente realmente divino, porque, na opinião deles, "este Jesus deve ser feito na China". Outros artigos em destaque são os porta-chaves do Chelsea e os termómetros  com indicação de graus em "Kelvin".

Meu Deus... o teu filho é um incompetente.
Por outro lado, quem neste momento apela a todos os santinhos do paraíso é Luís Filipe Vieira. O presidente encarnado fiou-se na Virgem, renovou a termo incerto o contrato de Jorge Jesus na noite do apuramento para a final da Liga Europa e agora não sabe como há-de transmitir a notícia aos sócios sem haver um suicídio colectivo.

Razão tinha Pimenta Machado, que dizia que "em futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira". Em dois minutos, Jorge Jesus passou de bestial a besta e Vitor Pereira passou de besta a treinador vitalício.

Quem ontem saiu também à rua em ambiente grande festa, foram os adeptos do Sporting e com razões legítimas para o fazerem. Afinal, não é todos os dias que se ganha ao Olhanense, se garante o afastamento das competições europeias e se confirma o pior ano desportivo de toda a história do clube...  Inimigo público
Nem eu sei... porque não fiquei em casa.