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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

No fim, pagam sempre os mesmos!

Tivemos ontem notícia que a Comissão Europeia aplicou um total de 1.700 milhões de Euros de multa a 5 bancos e uma correctora, por manipulação das taxas Euribor e Libor.

À primeira vista, isto pode dar a entender que a Comissão Europeia está atenta às movimentações menos claras do mundo da finança e que mantém apertada vigilância sobre os operadores bancários. "Inchem! Fizeram asneira com o nosso dinheiro, agora paguem!" - Foi esta a primeira reacção da populaça.

Nada mais errado. Pelo menos entre 2005 e 2009, as instituições financeiras agora alvo desta "pesada" multa manipularam, de forma concertada, as taxas de juros que servem de indexante, de referência, aos empréstimos concedidos aos clientes, lucrando indevidamente, com essa cartelização, um montante impossível de quantificar, mas que pode facilmente chegar aos 5.000 milhões de Euros. Ou seja, foi este o total global que os clientes com empréstimos bancários pagaram a mais de juros pelos mesmos, durante esse quinquénio.

E então, o que fez a Comissão Europeia para resolver o problema? 
Como todos sabemos, o sector bancário vive dias difíceis; ouvimos quase todos os dias notícias relacionadas com injecções de capital dos Estados em bancos, nacionalizações, riscos de falência e resgates financeiros. Logo, a Comissão Europeia não podia ser demasiado severa com estas instituições bancárias, sob pena de lhes criar um problema de estabilidade que se estenderia a todo o sistema bancário e que os Estados teriam de ajudar a resolver posteriormente porque, como todos sabemos, a minha empresa pode falir, mas um banco não.
Vai daí, a Comissão Europeia decidiu ficar com parte dos lucros dessa cartelização, aplicando a referida multa de 1.700 milhões de Euros, e deixou as instituições financeiras ficarem com o remanescente do saque efectuado à carteira dos seus clientes.

Fica assim resolvido um problema, com lucro para a Comissão Europeia e para as instituições financeiras envolvidas e ninguém vai preso, porque...

NO FIM, PAGAM SEMPRE OS MESMOS! 

sábado, 23 de novembro de 2013

Porcos prá Africa, ou os limites que não se podem ultrapassar

De tudo aquilo que se viu, disse, escreveu e leu sobre a manifestação das forças de segurança, na passada quinta-feira, em frente à Assembleia da República, há um triste episódio que passou despercebido, talvez por ter sido apenas visto na antena da Sic Notícias, num directo do Jornal das 9. 
Após os manifestantes terem subido, de forma ordeira e pacífica, as escadarias da Assembleia da República, surge nos ecrãs um manifestante que começa por insultar todos os seus colegas de profissão que, por convicção, por falta dela, ou por qualquer outro motivo, não puderam, ou não quiseram, estar presentes naquele protesto, vociferando que "os cobardes ficaram em casa". 
Como se isto já não fosse suficientemente grave, o mesmo manifestante decide apontar baterias a um alvo que nada tem que ver com os motivos que o levaram ali e começa a berrar "porcos pretos prá África!", como podem confirmar no vídeo abaixo.


Ora, a menos que o sujeito pretendesse dar um impulso à exportações de presunto "pata negra" para África, coisa que não me parece que passe pelas suas prioridades, estamos perante um grave incidente racista, que terá de ter as suas consequências criminais e disciplinares para o agente infractor. 
Este manifestante esqueceu-se, ou então não sabe, que a Lei que lhe permitiu estar naquele local, naquela manifestação e demonstrar a sua indignação contra os cortes salariais e contra as políticas do Governo, é a mesmíssima Lei que faz de Portugal um país tolerante e que respeita o ser humano por igual, independentemente da sua condição social, sexo, orientação sexual, raça, credo, ou cor de pele.
Que o indivíduo em causa tenha princípios que eu considero pouco dignos e contrários à democracia em que vivemos, é lá com ele. O que eu, enquanto cidadão português de plenos direitos, não posso permitir, é que esse indivíduo use uma manifestação legítima e as imediações da "Casa do Povo" para destilar o seu ódio racista e falta de tolerância para quem nasceu com uma cor de pele diferente da dele.
Por outro lado, não posso de forma alguma dormir descansado, sabendo que a segurança deste país possa estar entregue a pessoas com este tipo de carácter e mal-formações intelectuais.

Neste caso, sim, justifica-se plenamente que Machete apresente um diplomático pedido de desculpas aos visados pela actuação deste agente.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Jornal de Angola indica Rui Machete para Nobel da Paz

Em nova entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, agradece a indicação, mas diz que ainda não fez o suficiente para merecer o prémio.


Ilustração:
Jorge Brito Drawings
"Ainda tenho muitos pedidos de desculpas a apresentar a Angola em prol da pacificação das relações com Portugal."

"Por exemplo, falta pedir desculpas à D. Isabel dos Santos pelas trapalhadas que as nossas Finanças lhe arranjam a cada vez que ela vai a Portugal comprar acções de uma cotada no PSI 20. Obrigar a senhora a pagar impostos e mais valias pelas transacções, é uma chatice desnecessária e pode colocar em causa os investimentos que a herdeira do trono de Angola faz  no nosso escritór... país, país!"

"Também ainda não tive oportunidade de pedir desculpa ao povo angolano por aquilo que o departamento médico do Benfica fez ao joelho direito do Mantorras. Eu, que já tive a oportunidade de o ver ao perto, fiquei com a ideia que estava a olhar para um campo de minas em Cabinda - por falar em Cabinda, a ver se não me esqueço de passar na farmácia ao ir pra casa..."