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sábado, 23 de novembro de 2013

Porcos prá Africa, ou os limites que não se podem ultrapassar

De tudo aquilo que se viu, disse, escreveu e leu sobre a manifestação das forças de segurança, na passada quinta-feira, em frente à Assembleia da República, há um triste episódio que passou despercebido, talvez por ter sido apenas visto na antena da Sic Notícias, num directo do Jornal das 9. 
Após os manifestantes terem subido, de forma ordeira e pacífica, as escadarias da Assembleia da República, surge nos ecrãs um manifestante que começa por insultar todos os seus colegas de profissão que, por convicção, por falta dela, ou por qualquer outro motivo, não puderam, ou não quiseram, estar presentes naquele protesto, vociferando que "os cobardes ficaram em casa". 
Como se isto já não fosse suficientemente grave, o mesmo manifestante decide apontar baterias a um alvo que nada tem que ver com os motivos que o levaram ali e começa a berrar "porcos pretos prá África!", como podem confirmar no vídeo abaixo.


Ora, a menos que o sujeito pretendesse dar um impulso à exportações de presunto "pata negra" para África, coisa que não me parece que passe pelas suas prioridades, estamos perante um grave incidente racista, que terá de ter as suas consequências criminais e disciplinares para o agente infractor. 
Este manifestante esqueceu-se, ou então não sabe, que a Lei que lhe permitiu estar naquele local, naquela manifestação e demonstrar a sua indignação contra os cortes salariais e contra as políticas do Governo, é a mesmíssima Lei que faz de Portugal um país tolerante e que respeita o ser humano por igual, independentemente da sua condição social, sexo, orientação sexual, raça, credo, ou cor de pele.
Que o indivíduo em causa tenha princípios que eu considero pouco dignos e contrários à democracia em que vivemos, é lá com ele. O que eu, enquanto cidadão português de plenos direitos, não posso permitir, é que esse indivíduo use uma manifestação legítima e as imediações da "Casa do Povo" para destilar o seu ódio racista e falta de tolerância para quem nasceu com uma cor de pele diferente da dele.
Por outro lado, não posso de forma alguma dormir descansado, sabendo que a segurança deste país possa estar entregue a pessoas com este tipo de carácter e mal-formações intelectuais.

Neste caso, sim, justifica-se plenamente que Machete apresente um diplomático pedido de desculpas aos visados pela actuação deste agente.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Jornal de Angola indica Rui Machete para Nobel da Paz

Em nova entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, agradece a indicação, mas diz que ainda não fez o suficiente para merecer o prémio.


Ilustração:
Jorge Brito Drawings
"Ainda tenho muitos pedidos de desculpas a apresentar a Angola em prol da pacificação das relações com Portugal."

"Por exemplo, falta pedir desculpas à D. Isabel dos Santos pelas trapalhadas que as nossas Finanças lhe arranjam a cada vez que ela vai a Portugal comprar acções de uma cotada no PSI 20. Obrigar a senhora a pagar impostos e mais valias pelas transacções, é uma chatice desnecessária e pode colocar em causa os investimentos que a herdeira do trono de Angola faz  no nosso escritór... país, país!"

"Também ainda não tive oportunidade de pedir desculpa ao povo angolano por aquilo que o departamento médico do Benfica fez ao joelho direito do Mantorras. Eu, que já tive a oportunidade de o ver ao perto, fiquei com a ideia que estava a olhar para um campo de minas em Cabinda - por falar em Cabinda, a ver se não me esqueço de passar na farmácia ao ir pra casa..."

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Rescisões na Função Pública - A Carta

Na prossecução da destruição da Função Pública a que Passos Coelho se propôs, tivemos recentemente notícias que dão conta que o Governo começou a enviar, por carta, propostas de rescisão por mútuo acordo aos funcionários públicos. No entanto, esta carta que está a ser enviada aos funcionários públicos não é a original. A primeira, original e verdadeira, elaborada por Maria Luís Albuquerque, é esta que a seguir se transcreve.

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Caro(a) amigo(a) e futuro(a) ex-funcionário(a) público(a):

O Governo está plenamente consciente de todas as dificuldades por que passam actualmente os funcionários públicos portugueses, dificuldades essas impostas pela austeridade a que a "Troika" obriga, tudo por culpa do PS, esses bandalhos que assinaram o memorando de entendimento. Temos plena consciência que não é fácil para um funcionário público encarar com naturalidade e sem revolta o congelamento das carreiras, os cortes salariais, o aumento de impostos, os utentes, os superiores hierárquicos e a internet lenta nos serviços que fazem "crashar" o Angry Birds.

Assim, consciente dessas dificuldades e sempre com o superior interesse das pessoas no pensamento, o Governo decidiu levar a cabo um sorteio com vista a dar a 100.000 funcionários públicos a possibilidade de se livrarem para sempre de todo esse sofrimento. Por isso...

MUITOS PARABÉNS!!!

O seu número mecanográfico foi aleatoriamente sorteado pelo nosso fantástico PROGRAMA DE RESCISÕES POR MÚTUO ACORDO!!! 

Está agora a um pequeno passo de se ver livre da precariedade do vínculo à função pública e, com as perspectivas que apenas o desemprego proporciona, concretizar os sonhos de uma vida: 
- Emigrar.
- Outras que agora não me lembro, mas é só perguntar ao Ex.mo Sr. Primeiro Ministro.

Para tanto, basta preencher o inquérito anexo à presente e devolvê-lo no envelope "RSF" que se remete.
O inquérito foi elaborado de acordo com os padrões de simplicidade "Relvas" e, por isso, bastante simples e de fácil resposta. Juro. Portugal conhece a minha seriedade e sabe que eu não minto.  
Alerta-se apenas para o facto de o "RSF" ser apenas válido até à privatização dos CTT, pelo que convém devolver o referido inquérito com a máxima brevidade.

Para qualquer esclarecimento, não hesite em contactar a Linha de Apoio ao Futuro Ex-Funcionário Público - 769 696 969 - criada a pensar em si.
Custo da chamada: 450,00€+IVA+Taxa de Utilização+Taxa de Disponibilidade+Outras.

Beijinhos,
Maria Luís Albuquerque, 
(Ministra das Finanças, Secretária de Estado do Tesouro, Ex-Professora de Pedro Passos Coelho e Dona de Casa, vulgo "Swapeira")


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"Não é bem assim. Mas se fosse, já ninguém estranhava."


Ilustração:
Jorge Brito Drawings