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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Que trazeis nesse saco de carvão? São pedras, senhor. São pedras.

Como todos sabemos, Verão significa calor, férias, praia, cerveja a rodos, bikinis, filas à saída da praia, mosquitos, escaldões e... churrascadas!!! 
Duvido que haja alguém que não goste de uma bela churrascada no fim de um dia de praia, regada com litros de caipirinha, de preferência em casa de um familiar ou amigo. Não é por nada, é que dá menos trabalho e fica muito mais em conta, especialmente para aqueles que, para além de nem sobremesa levarem, ainda têm o desplante de dizer "Deves ter o frigorífico avariado. Se meteres uma couves na cerveja, já temos sopa...".
Ora, um dos enigmas que me tem apoquentado nos últimos tempos está precisamente relacionado com as churrascadas. Os sacos de carvão trazem pedras dentro. Sim. Pedras, pedrinhas, pedregulhos e calhaus.
Já dei milhões de voltas à cabeça e não consigo entender a utilidade nem a presença de pedras dentro dos sacos do carvão, se bem que já deram um jeitão a um amigo meu que mora numa vivenda. Um dia estava ele a churrascar e usou duas dessas pedras para afugentar um gato mais afoito que se aproximava perigosamente do grelhador, com ar de quem queria dar às salsichas um destino igual àquele que o meu vizinho tinha idealizado. Comê-las. Os protectores dos animais podem estar descansados. O meu vizinho tem uma pontaria tão boa para acertar em gatos, como Passos Coelho para acertar em Ministros competentes.
Depois de ir eliminando possibilidades, cheguei a uma conclusão, que me pareceu a mais óbvia: as pedras só podem ser para construir uma churrasqueira! 
Os produtores de carvão só podem ter decidido oferecer uma churrasqueira às peças aos clientes, ao estilo daquelas colecções "Planeta deAgostini", em que um gajo vai comprando uma peça por semana para ir montando pacientemente, mas que nunca se chega a concluir.
Portanto, as pedras só podem ser as entregas iniciais de uma fabulosa churrasqueira e atendendo ao número de pedras que já tenho, estou a prever que daqui por duas semanas termine a entrega das pedras e o carvão comece a trazer pequenos sacos de cimento para a começar a construir a minha nova churrasqueira...



"Pedras nos sacos de carvão? Guardo-as todas!
- Um dia vou construir uma churrasqueira!"


Ilustração:
Jorge Brito Drawings







quinta-feira, 8 de agosto de 2013

São Bento, o "aspirador" dos cortes nas reformas

Para o Governo, reduzir despesa do Estado significa imediatamente cortar em salários e pensões dos funcionários. Não há volta a dar-lhe. O Governo não consegue ver para além disto. E é a isto que o Governo resume também a tão anunciada "reforma do Estado". Reformar o Estado, na óptica do Governo, resume-se precisamente a cortar em vencimentos e pensões. 

Vai daí, não foi com grande surpresa que recebi a notícia que dá conta das intenções do Executivo liderado por Paulo Portas (sim, por Paulo Portas), em dar um corte retroactivo de 10% nas pensões acima dos 600,00€ dos aposentados do Estado. Esta machadada no rendimento dos pensionistas da Caixa Geral de Aposentações representará uma poupança de cerca de 740 milhões de Euros já em 2014.

Recuemos até Março de 2011 e ao famoso PEC 4. Este PEC, com o qual já ninguém concordava, previa um corte nas reformas acima dos 1.500,00€ e a sua não aprovação acabou por ditar a queda do Governo de José Sócrates. Na altura, Pedro Passos Coelho, líder da oposição, justificou a não aprovação com frases que ficarão registadas como o melhor que a demagogia política pode gerar:
- "Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."
- "Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."
- "Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."
- "Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."
- "Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."
- "Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."
- "Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."
- "Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."
- "A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."
(Todas estas citações foram transcritas da conta no Twitter de Passos Coelho (@passoscoelho)

Basicamente, Passos Coelho andou dois anos a convencer os portugueses que "bastava tirar Sócrates, colocá-lo lá a ele e tudo se resolvia"(@G_L) mas, como todos já percebemos há muito, Passos Coelho não faz mais do que dar continuidade às políticas do anterior Governo, com a nuance de ir ainda mais longe, pondo em prática medidas que acerrimamente atacou enquanto líder da oposição apostado no assalto ao poder.
No entanto, a poupança gerada por estes cortes serão facilmente absorvidos pela despesa que realmente pesa nas contas do estado que são os gastos que directamente advêm do seu funcionamento.
Peguemos, a título exemplificativo, na Assembleia da República. O Orçamento da Assembleia da República para 2013 "aspira" uns impressionantes 140 milhões de Euros, resultantes da necessidade de manter a funcionar uma instituição desajustadamente pesada e disfuncional quando comparada com a realidade do país. 
A redução de 230 para 180 Deputados, que a nossa Constituição permite, representaria uma redução imediata de cerca de 70 milhões de Euros anuais (há números para todos os gostos) no seu orçamento e num prazo de 10 anos atingiria a poupança que os cortes nas pensões vão gerar, isto para além de representar o início de uma verdadeira reforma da máquina do Estado e de dar ao cidadão um imagem positiva de um Governo que quer começar a cortar na real despesa do Estado e não no rendimento dos seus assalariados e pensionistas.
Mas falta a coragem de lutar contra os interesses instalados na própria AR e, ao invés de se avançar para uma verdadeira Reforma do Estado, vão-se tomando medidas avulsas, desestruturadas e desestruturantes de corte no rendimento disponível dos cidadãos.


"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."
- Pedro Passos Coelho, 12-04-2011, na sua conta no Twitter -

Ilustração:
Jorge Brito Drawings

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Depois do hamburguer-proveta, porque não o político-proveta?

Das coisas mais surpreendentes que nos foi dada a ler esta semana foi a produção, confecção e consumo do primeiro hamburguer-proveta, conforme consta desta notícia d'O Público online.
Muito resumidamente, o projecto, financiado por um dos fundadores da Google, pretende reduzir a dependência da criação de gado e a ideia, aparentemente simples, consiste em recolher células estaminais de um músculo da vaca e depois cultivá-las em laboratório. Os 140gr. produzidos até ao momento custaram qualquer coisa como 250.000€ e, a avaliar pela opinião dos encarregados pela degustação, comer aquilo deve ser mais ou menos como fazer "o amor" com uma boneca insuflável: mata a fome mas não sabe a nada. Aqui, "ouvi dizer" aplica-se a ambos os casos. Nem eu provei o hamburguer, nem nunca abusei de uma boneca insuflável. Pelos menos que me lembre.

Mas o que é certo é que lá conseguiram produzir carne em laboratório, feito que me levou a pensar que métodos semelhantes podem ter aplicações noutros campos e a primeira coisa que me ocorreu foi a criação de... políticos-proveta. Ah pois é! 
À imagem do dito hamburguer, para criar um político-proveta bastaria fazer a respectiva recolha de células estaminais de um político (ou de qualquer outro verme rastejante), colocá-las numa cultura rica em Swaps e PPP's e era ver aquilo crescer ao mesmo ritmo com que se sucedem as trapalhadas deste Governo. Depois, era só ir virando de ambos os lados, para o político não se habituar a uma única posição, e ao fim de uns 15 dias teríamos um político-proveta pronto a ser nomeado Secretário de Estado. 
Para além disso, haveria a possibilidade de se misturem células de mais que um político e podíamos, por exemplo, produzir um político-proveta com o sentido de oportunidade do Pedro Lomba, a sinceridade da Maria Luís Albuquerque, a determinação de Paulo Portas e a habilidade de Passos Coelho para as farórias. Seria uma espécie de Cavaco Silva, mas com todos os super-poderes que um político pode ter. 
Não obstante os custos envolvidos, tal processo seria sempre mais barato que o actual método tradicional de criação de políticos. Contas redondas, o fabrico de um político-proveta rondaria os 120 milhões de Euros, coisa bastante inferior àquilo que nos custou cada um dos políticos envolvidos na tramóia do BPN.
Isto da produção de políticos-proveta teria inclusivamente a vantagem de não precisar de uma mãe biológica, coisa que pouparia aquela parte em que as mães sofrem quando vêem um filho meter-se na política. Veja-se, a título de exemplo aquilo que a mãe do Paulo Portas diz que tem sofrido à conta do filho andar metido na política. Para sofrimento já basta o daquelas mães que vêem os filhos meterem-se na droga. 
A única desvantagem deste método é que deixaria de fazer sentido dizer-se que "os políticos são todos uns filhos da p...", que é uma das expressões que os portugueses mais têm usado ultimamente. 


Ilustração:
Jorge Brito Drawings