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terça-feira, 6 de agosto de 2013

As merecidas férias da política.

O ano da Graça de 2012 foi dos mais produtivos de sempre no que a espectáculo político diz respeito. Depois de termos vivido durante 11 meses sem saber ao certo o que aconteceria no dia seguinte a política vai, finalmente, de férias.
Se há coisa que a nossa classe política merece por tudo o que tem feito pelo país, são férias. À vista desarmada, pode até parecer fácil conseguir-se arranjar um assunto político novo por semana, mas não é. Agora imaginem o esforço suplementar que foi necessário para arranjar vários ao mesmo tempo. 
Desenganem-se se por acaso pensam que é fácil desencantar casos para manter a malta entretida., tais como "Licenciatura à Relvas", "Regresso de Sócrates", "TSU", "Vitor Gaspar", "Lomba", "Briefing", "Demissão Irrevogável", "Salvação Nacional", "Cagarras nas Selvagens" e mais recentemente "Swaps", "Mentiras" e "Maria Luís Albuquerque". 

E pelo meio de tudo isto a política conseguiu ainda arranjar arte e engenho para produzir mais 230.000 novos desempregados e falir mais de 30.000 empresas. Isto em menos de um ano! É obra! Esta malta deve estar de rastos... 
Mas nada disto é fruto do acaso. Tudo isto é resultado de um trabalho intenso  ao nível da incompetência, da irracionalidade, da falta de vergonha na cara e da ficção. Sim, da ficção. 
É que se por um lado a política é um campo fértil onde os humoristas arranjam assunto sem grande esforço, por outro lado é a prova evidente que nunca a imaginação de um profissional da gargalhada poderá ultrapassar a realidade política. Nem mesmo Ricardo Araújo Pereira seria capaz de congeminar uma demissão irrevogável de um Ministro que acabou em promoção do mesmo a Vice-Primeiro-Ministro.

Por tudo isto, eles merecem mesmo estas férias, mais que não seja para nos permitir recuperar o fôlego para a próxima temporada política. É que a coisa promete! 

"Se quisermos salvar Portugal, temos de o fazer 'rapidamente e em força' durante o mês de Agosto. 
- Temos de aproveitar enquanto os políticos estão de férias."


Ilustração:
Jorge Brito Drawings

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Brincar aos riquinhos (desaconselhado a pessoas sensíveis)


Cristina Espírito Santo Toscano Rico, filha de Jorge Espírito Santo, um dos administradores do Banco Espírito Santos, é a autora da frase mais estúpida e mais ofensiva à dignidade dos portugueses que eu tenho lido nos últimos tempos. Passos Coelho, pá! Desculpa lá qualquer coisinha de menos agradável que te tenha dirigido nos últimos dois anos. Amigos como dantes, ok? Referindo-se à zona da Comporta, diz ela que ir para lá "É como brincar aos pobrezinhos"...

Não sei se repararam, mas esta anormal até "Rico" tem no nome. Há quem nasça "Alves" ou "Pereira" mas como gente fina é outra coisa, esta é "Rico" desde que a mãe a pariu.
Esta mentecapta que nunca fez um caralho na puta da vida dela, a não ser ser inútil, fútil e ir a festas, esquece-se (muito provavelmente nem sabe) que ela apenas é rica graças aos pobrezinhos. À imagem de tantos outros, o banco do pai deste vacão opera neste momento no mercado financeiro com um aval de 500 milhões de Euros dado pelo Estado português que, como todos sabemos, somos todos nós. 

Ilustração:
Jorge Brito Drawings
Significa isto que, para esta inútil poder ir para a Comporta "brincar aos pobrezinhos", milhões de portugueses (os que ainda têm emprego) são obrigados a levantar todos os dias o cu da cama e irem trabalhar para chegar ao fim do mês e entregar grande parte do seu salário ao Estado, por forma a que este possa passar avais financeiros ao banco do pai desta acéfala. Para esta merdas poder ir para a Comporta "brincar aos pobrezinhos", nos últimos 2 anos, 500.000 portugueses perderam o emprego e 230.000 perderam o direito ao subsídio de desemprego e ao abono de família. Esta merda não é "brincar aos pobrezinhos"; Esta merda é chocar todos os dias de frente com a realidade de um povo. É esta a realidade diária dos portugueses. Ser pobre. 
E é também por isso que somos pobrezinhos. Porque, contas feitas por alto, o Estado português já retirou aos pobrezinhos cerca de 10.000.000.000 (dez mil milhões) de Euros para enterrar em bancos (BPN, BPP, BES, BPI, BCP e Banif) por forma a manter de pé um sistema bancário corrupto e que mantém à boa vida putas como esta gaja.
Vou-me até escusar dar exemplos daquilo que podia ser feito em benefício dos "pobrezinhos" com todo este dinheiro que os Governos têm enfiado no cu dos Bancos. A fundo perdido. De certeza que não eramos tão pobrezinhos e se calhar até nos podiamos dar ao luxo de irmos todos de férias pelo menos uma semana por ano para a Comporta "brincar aos riquinhos".
Remato, dando apenas um conselho a este monte de merda falante:


"Quando estiveres na Comporta a brincar aos pobrezinhos, aproveita e brinca também à puta que te pariu!!!!"

terça-feira, 23 de julho de 2013

Bebé Real vs. Bebés da vida real

Durante todo o dia de ontem, fomos transportados para o imaginário fantasioso de príncipes e princesas e histórias de encantar, empurrados pela mediática novela que os "media" e as redes sociais teceram à volta do nascimento de uma criança como tantas outras, mas diferente por ser o filho varão de William e Kate, futuro Rei de Inglaterra e seus arrabaldes, e a quem eu carinhosamente chamei de "Symba, o Rei dos Bifes". Ora, como a Realeza até para nascer é complicada, o puto só nasceu ao fim de mais de 10 horas de trabalho de parto. Fosse a Fanny e a coisa estava despachada em menos de 5 minutos e perfeitamente a tempo de ir fazer uma presença numa discoteca. 
Este puto, que ainda agora nasceu, já tem a vida ganha e as preocupações dele não irão muito além de escolher a roupa que vai vestir e evitar meter-se em escândalos muito grandes. O recorde Real está, para já, em aparecer nu em todas as capas de tudo quanto é jornal e revista do mundo ocidental e é detido por Harry, tio do pirralho. 
Ilustração:
Jorge Brito Drawings
Vai ter um séquito de amas para lhe trocarem a Real fralda 'Armani', vai ser um puto chato, birrento e mimado e vai poder bater nos outros putos do infantário só porque é príncipe. Os pais vão poder escolher gratuitamente entre os melhores colégios privados e os reitores das melhores universidades vão fazer fila à porta do Palácio onde vai morar. Vai passar a juventude rodeado de gajas boas, vai "snifar" cocaína da melhor qualidade, apanhar borracheiras monstruosas com os melhores 'whiskys' e 'Gins' e vai fazer desintoxicações secretas nas melhores clínicas de reabilitação do mundo. E o curso superior, esse lá há-de aparecer, mais que não seja pelo método 'Relvas'. Ser Rei deve dar equivalência, no mínimo, a um doutoramento. Há-de acabar por casar com uma 'Kate' qualquer e vai ter putos iguais a ele. Finalmente vai ser Rei, ter à sua disposição um orçamento anual de milhões para gerir como lhe der na Real gana e vai poder gastar por dia aquilo maior parte dos mortais não ganha numa vida inteira de trabalho.
Os pais dele, esses, não terão de se preocupar em garantir que na próxima refeição haja comida para pôr na mesa. Não chegarão ao mês de Agosto a fazer contas àquilo que vão gastar em Setembro com livros e material escolar para mandar o pequeno príncipe para a escola, nem se no próximo mês vai haver dinheiro para pagar a propina da faculdade. Nunca ele saberá o que é ter de procurar trabalho ou estar desempregado. O trabalho dele é ter nascido e esse trabalho está feito, enquanto que para o 'plebeu' é precisamente aí que começa a trabalheira.
Mas isto assim não tem piada nenhuma. Uma vida sem conquistas, sem vitórias, uma vida em que se tem tudo como um dado adquirido e as coisas "caem do céu", não permite apreciar as pequenas coisas da vida, muito menos saber o seu valor.
Nunca ele experimentará a inigualável sensação de comprar uma carteira de cromos com o dinheiro poupado de uma parca mesada, nem nunca os pais dele conhecerão o brilho de felicidade nos olhos de um filho a quem acabaram de oferecer uma PlayStation em segunda mão, 'crackada' porque os jogos são caros, e para a qual tiveram de andar um ano inteiro a juntar dinheiro.
Estes, sim, são os pais que mereciam ser notícia de abertura dos telejornais e que mereciam ter uma coroa na cabeça. E foi nestes pais que eu pensei ao assistir a todo o circo montado à volta do nascimento do 'Royal Baby Boy': nos pais que saem de casa todos os dias para irem lutar pelo garante do sustento e educação dos filhos e não naqueles que para o garantirem basta terem um nome que não cabe no bilhete de identidade...


"O dinheiro, a fama e a fortuna podem ter o seu brilho momentâneo; Mas as coisas realmente importantes da vida, aquelas capazes de nos marcar a existência, dinheiro algum pode comprar."