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sábado, 4 de maio de 2013

Quando me sair o Euromilhões

Todo o português sonha em ganhar o Euromilhões pra realizar um sonho. Eu não sou diferente. A diferença é que o meu sonho é um tudo ou nada... diferente.


Qualquer português que não se chame Cristiano Ronaldo ou José Mourinho, passa a vida a sonhar com o dia em que as estrelas (e os números) se vão alinhar e o Euromilhões vai sair. Toda a gente tem a certeza que isso vai acontecer um dia; caso contrário, ninguém jogava.
Enquanto esse dia não chega, todos vão tratando de planear o que fazer a tanto dinheiro porque, quando os milhões entrarem pela porta dentro, convém estar preparado para os começar gastar. Neste ponto, é de referir que 20% do prémio já está condenado a ir parar às mãos de Vitor Gaspar, que deve ser a pessoa que mais deseja que o Euromilhões saia todas as semanas a um português, mas a um português sem contas em "offshores". Não fosse esta preciosa ajuda do Ministro das Finanças e a tarefa de dar destino ao dinheiro seria bem mais difícil. Gaspar, sempre a considerar!
Os planos para o dinheiro passam quase sempre por comprar um carro o mais vistoso possível, uma casa com mais quartos que um Hotel Vila Galé e ajudar a família. Toda a gente quer ajudar a família. Mas só quando sair o Euromilhões! Ah! E fazer férias para o resto da vida nos locais mais exóticos. De preferência no estrangeiro. A Praia da Rocha é exótica, mas está carregada de pobres.
O meu sonho é mais radical, mas mais fácil de concretizar do que a mudança de guarda-roupa da Teresa Guilherme. Quero tornar-me na primeira pessoa a ganhar o Rally de Portugal na classe WRC-Passageiro. Leram bem! Nem como condutor, nem como co-piloto, mas sim confortavelmente acomodado no banco de trás de um Rolls-Royce todo "kitado". 
Os bancos da frente, esses, deixo-os para duas suecas a seleccionar através de rigorosos "testes de estrada".
E agora que o Rally de Portugal parece querer regressar ao Norte e, designadamente, a terras Limianas, este meu desejo cresce ao mesmo ritmo da nossa dívida externa. 
Ponte de Lima está para o Rally de Portugal como a cerveja está para o tremoço; Se existisse um "after-shave" com cheiro a ferodo ou a gasolina super-aditivada, o Limiano usava-o! Neste aspecto, o Rally de Portugal e o Queijo Limiano são iguais. Desde que saíram de Ponte de Lima, nunca mais voltaram a ser o que eram.

Mas isto, meus caros, a menos que me apareça por aí um patrocinador interessado, só acontecerá quando me sair o Euromilhões. Afinal, o meu sonho não é tão estúpido como o do Felix Baumgartner e a RedBull também o patrocinou.
Até lá, vai-se sonhando. Porque sonhar ainda é das poucas coisas que se pode fazer sem que nos obriguem a pedir factura.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O pior pesadelo da vida de um homem casado


Só uma coisa na vida de um homem consegue ser pior que acompanhar a esposa nas compras do supermercado. É ter de ir ao supermercado sozinho. 

Quando a respectiva mais-que-tudo diz "Ó more! No fim do trabalho podias passar no supermercado e trazer meia-dúzia de coisas que estão a fazer falta", o pânico instala-se, o sangue gela nas veias. A primeira coisa que ocorre é dizer "Eu até ia, mas hoje não posso". Mas como as consequências de dizer não a uma solicitação/ordem da mulher são sempre piores do que as  que resultam do sim, o homem acede sem pestanejos. Ir emborcar umas mines com a malta do clube de pesca, vai ficar pra depois. Outra vez.
O dia acaba logo ali, porque um homem não consegue pensar em mais nada do que a tortura que o espera ao final da tarde num qualquer Continente ou Pingo Doce.
O sangue volta a gelar e o pânico instala-se de novo, quando a "meia-dúzia de coisas" se transforma numa lista que só encontra comparação, em termos de tamanho, nos infindáveis discursos que Fidel Castro fazia no 1 de Maio. Se a lista de compras fosse feita por um homem, seria reduzida a metade e mesmo assim haveria lá tralha que não faz falta pra nada. Ok. Os amendoins podem ficar.
Chegado ao supermercado, é o caos. Um homem espera sempre que os produtos estejam expostos nos corredores pela mesma ordem em que eles constam da lista de compras. Na cabeça de um homem, faz todo o sentido que a cerveja esteja na prateleira ao lado das lâminas da barba e que o whisky esteja logo a seguir à banca dos enchidos e fumados. Por aqui se vê que um supermercado não foi idealizado para ser frequentado por homens. Tanta organização e tanta ordem, só pode ser para mulheres.
Um homem não tem problema em lidar com os produtos que constam da lista, excepto um. A lista pode até contemplar tampões, pensos higiénicos e cremes hidratantes. Não há problema. Dá até um ar de modernidade e serão orgulhosamente colocados em lugar de destaque no carrinho das compras. Ali, onde toda a gente veja.  
Mas há um que o homem reza interiormente a todos os santos para que não esteja na lista. O papel higiénico.
Não há nada pior para a masculinidade do que um homem ser visto a comprar papel higiénico. Os restantes clientes olham para um homem como se ele estivesse a sair do Casal Ventoso, com um embrulhinho na mão. Mas porque raios o papel higiénico teima em vir em gigantescos volumes que são impossíveis de dissimular seja de que forma for??? A solução passaria por comprar daqueles rolos todos modernos da Renova, que vêm em embalagens mais pequenas, mas o preço é proibitivo. Homem algum investe 4,00€ do seu património numa coisa que apenas serve para limpar o c....oiso. 
Esta é uma ocasião em que um homem gostava de ter o super-poder da invisibilidade. Outra ocasião é ao chegar a casa depois das 2 da manhã. Mas isso será assunto para uma outra dissertação.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A verdadeira luta do 1.º de Maio




No "Dia da Árvore", plantam-se árvores; No "Dia do Livro", compram-se livros; No "Dia do Trabalhador"... é feriado e ninguém trabalha porque é "Dia de Luta"!

Quem quer ver os trabalhadores portugueses a lutar, não encontra melhor dia que o 1 de Maio, dia escolhido para consagrar a classe operário-proletário-trabalhadora. Meia-dúzia de pessoas, portanto.


O dia é todo ele feito de luta. Para começar, é a luta por pôr a pé antes que seja hora de ir outra vez para a cama. 
Se conseguir ganhar esta luta e estiver mau tempo, vem a luta pelo lugar de estacionamento mais próximo da porta de entrada do "shopping" lá da terra, local de romaria obrigatória nos dias de chuva. Ao vir embora, é a luta para arrancar os putos do parque de diversões e a luta para acordar a sogra que entretanto adormeceu numa daquelas poltronas que fazem massagens por 1€, mas onde toda a gente se senta porque é um desperdício aquilo estar ali "à boa vida". 
Se estiver bom tempo e calor, vem a luta pelo melhor "spot" da praia, aquele de onde melhor se veja o "topless" do mulherio circundante. Ao vir embora é a luta para arrancar os putos da água e a luta para acordar a sogra que entretanto adormeceu à sombra do guarda-sol do vizinho do lado, porque até era um desperdício aquilo estar ali abandonado
Em ambos os casos, ao chegar a casa, mais uma luta! Arrancar os putos e a sogra do carro, porque entretanto adormeceram todos. 
Os poucos que não estão incluídos no grupo acima descrito, aproveitam a calmaria generalizada das cidades e vão em passeio organizado, empunhando tarjas e cartazes com palavras de ordem contra aqueles que fazem com que eles possam ser trabalhadores, ou seja, o patrão. 
Mas, como as ruas estão esvaziadas de gente, porque está tudo no "shopping" ou na praia, a única coisa contra a qual têm realmente de lutar, é contra o preço da "mine" e da bifana nas "roulotes" plantadas ao longo do percurso do passeio.

E para finalizar em grande estilo o "Dia de Luta", todos lutam para interiorizar que o "Dia de Luta" terminou e o dia seguinte é outra vez dia de trabalho, um banal dia de luta.